The Prime of Life – O Melhor da Vida

Primeira aparição:
The Magazine Of Fantasy and Science Fiction,
outubro de 1966

THE PRIME OF LIFE
O MELHOR DA VIDA

It was, in truth, an eager youth
Um jovem, um dia, se aproximou e,
Who halted me one day.
É verdade, logo me parou.
He gazed in bliss at me, and this
Me encarou com olhar profundo
Is what he had to say:
E me disse, lá do fundo:

"Why, mazel tov, it's Asimov,
"Mazel tov, é o Asimov,
A blessing on your head!
Como estou agradecido!
For many a year, I've lived in fear
Pois por anos vivi o temor
That you were long since dead.
De que já houvesse falecido.

Or if alive, one fifty-five
Ou se ainda estivesse vivo,
Cold years had passed you by,
Que 50 anos o tivessem envelhecido
And left you weak, with poor physique,
E o deixado fraco, esclerosado,
Thin hair and rheumy eye.
Com o cabelo ralo e o olho cansado.

For sure enough, I've read your stuff
Pois saiba que leio seu trabalho
Since I was but a lad
desde que eu era um raparigo
And couldn't spell or hardly tell
e não era capaz de distinguir
The good yarns from the bad.
nem o joio, nem o trigo.

My father, too, was reading you
Meu pai, ele também o lia
Before he met my Ma.
Mesmo antes de a mamãe o conhecer.
For you he earned, once he had learned
Ele o acompanhava desde que havia
About you from his Pa.
através do pai dele descoberto você.

Since time began, you wondrous man,
Desde o início dos tempos, venerado!
My ancestors did love
Mestre da F.C., homem prodigioso,
That s.f. dean and writing machine.
Uma verdadeira 'máquina de escrever':
The aged Asimov.”
Assim é Asimov, o idoso".

I'd had my fill. I said: "Be still!
"Já chega", eu disse, "Pare!
I've kept my old-time spark.
Ainda estou cheio da energia de outros tempos.
My step is light, my eye is bright,
Meu passo é firme, meu olhar brilha,
My hair is thick and dark.”
Escuros e grossos são meus cabelos".

His smile, in brief, spelled disbelief,
Seu sorriso era descrente, então sem nada em mente,
So this is what I did;
Simplesmente agi.
I scowled, you know, and with one blow,
Não aguentei, sabe, e com uma só pancada,
I killed that rotten kid.
Matei o catinguento guri.

1966

(Tradução de João Wolf)

The Weapon – A Arma

FICHA TÉCNICA:

  • Primeira aparição: edição de maio de 1942 da revista Super Science Stories (sob o pseudônimo H.B. Ogden). Foi também publicado posteriormente na primeira parte de sua autobiografia, In Memory Yet Green.
  • Título em Português: A Arma
  • Publicação no Brasil: Nunca foi publicada no Brasil, esta é a primeiríssima tradução disponível em Português. A tradução possui dois hiperlinks para o caso de o leitor desejar obter uma informação um pouco mais detalhada sobre os termos.
  • Comentários: Eis o que diz o próprio Asimov sobre este conto: “Aí está; não é exatamente uma boa história, mas também não tão má para um jovem de 18 anos. Eu a escrevi na primeira metade deCaptura de Tela 2015-10-16 às 16.36.25 setembro de 1938 ao mesmo tempo em que a crise de Munique chegava ao seu auge e que acabou culminando com o rendimento dos países aliados . Não é de surpreender que eu tenha colocado a democracia como se estivesse a ponto de ser destruída.” Bem, apesar de Asimov não se animar tanto com essa história, ele gostava dela o suficiente para incluí-la na íntegra na primeira parte de sua autobiografia. Eu confesso que, ao fazer a tradução, achei algumas partes no miolo bem chatinhas, porém o texto não é muito longo e, além disso, gostei do twistzinho no final o que acabou rendendo um Asimov verde na minha humilde avaliação.

A Arma

(Tradução original do blog Eu, Asimov por João Wolf)

A sala do conselho estava em absoluto silêncio. De uma plataforma elevada, cinco marcianos observavam de cima para baixo o Homem da Terra que estava em pé na frente deles. Suas faces estranhamente felinas não tinham expressão alguma. Somente seus olhos exibiam algum sinal de vida. Com um brilho esverdeado, eles penetravam até o âmago mais profundo do ser que era Preston Calvin.

De sua cadeira bem ao centro, o Chefe dos Anciãos de Marte começou a falar: “Seu pedido para uma audiência foi concedido, Homem da Terra. O que você deseja dos Anciãos de Marte?”

“Ajuda.” A voz de Calvin cortou o ar como uma faca. Com esses Marcianos, ser direto era o melhor tipo de diplomacia. “Ajuda com nossa luta contra as forças da crueldade e da maldade.”

As vibrissas cinzas do Chefe Ancião vibrou por um segundo. “Marte não interfere com a Terra. Não ajudamos.”

“Sem sombra de dúvida vejo uma certa desinformação quanto aos fatos, Excelência,” disse Carl, com urgência na voz. “Em nome de toda a humanidade, eu imploro por auxílio. A Democracia não pode ser derrotada”.

“Os assuntos Terrenos tem sido acompanhados com interesse,” foi a calma resposta, “mas cada mundo deve resolver seu próprio destino.”

Os ombros de Calvin se curvaram. Ele havia sido avisado a respeito dessa super-raça sem emoções, produto de incontáveis eons de evolução, mas a realidade era difícil de encarar.

Ele tentou outra estratégia: “Ajude-nos para o seu próprio benefício, então, se não pelo nosso. Se os bárbaros vencerem, a Terra será dominada por um culto ao ódio.  Um perigo que poderá ameaçar até mesmo Marte.”

“Não tememos a Terra, você já deveria saber disso.” Não havia raiva, simplesmente uma indiferença fria que a voz marciana emanava. “Permitimos que vocês colonizassem os planetas Jovianos e Saturno, que abandonamos há muito tempo, mas de Marte nós não abriremos mão.”

Calvin suspirou. “Eu não estou pedindo uma ajuda extensa. Tudo o que eu preciso é de uma arma. Vocês, que são tão sábios e poderosos, que poderiam possuir um universo e, no entanto, rejeitam tal ideia; seguramente, com seu conhecimento vasto, não lhes custaria nada jogar uma migalha para a jovem civilização da Terra, para que também possamos crescer grandiosamente e florescer?”

Os cinco Anciãos reunidos murmuraram entre si por alguns momentos. O Chefe Ancião falou sua resposta, lentamente. “Você tem razão – nossa sapiência é grande. Tão grande que sabemos uma coisa com certeza: toda civilização deve resolver seu próprio destino. Não iremos oferecer auxílio nenhum.”

A indiferença daqueles seres parecia inexpugnável, mas Calvin decidiu fazer uma última tentativa.

“Vocês tem receio, eu imagino, de que eu esteja pedindo um instrumento de destruição poderoso que iria causar a devastação da Terra. Isso com certeza vocês estariam corretos em negar. Na verdade, o que peço é exatamente o oposto – algo que teve um papel central em sua própria história.

Nós temos estudado a história de Marte e descobrimos algumas coisinhas. O início da sua história, assim como a nossa, é cheia de guerras e destruição; de repente, vocês aparecem nesse estado mental sem nenhuma emoção, no qual nenhuma guerra ou sentimentos malignos podem existir. Nós descobrimos como aconteceu essa mudança e o que pedimos é uma mudança parecida para os terráqueos.”

Aqui foi feita uma pausa que não pedia nenhuma resposta, apenas um sinal de cabeça para que continuasse.

“Existe uma glândula no corpo humano, atrofiada e aparentemente inútil, chamada glândula pineal. Existe uma maneira, que só vocês sabem, de ativar essa glândula e reativar suas funções. Essas funções, estamos certos, irão atuar como contrabalanço às glândulas suprarrenais, que produzem o medo e a raiva.

“Um mundo com glândulas pineais ativas seria um mundo sem medo ou raiva, seria um mundo da razão. Será que o conselho dos Anciãos de Marte está preparado para nos negar esse conhecimento que trará tão grandes benefícios? Seria totalmente ilógico.”

“Você está errado,” afirmou o Chefe Ancião. “Não é nada ilógico. Será que a Terra deseja perder as emoções assim como Marte?”

“Não”, admitiu Calvin, “mas não é necessário ir tão longe. Vocês possuem um caso extremo de glândulas pineais hipertrofiadas. Se diluir bem, a solução química que busco deverá simplesmente amenizar as violentas emoções de medo, raiva e ódio. É só isso”.

“Então você sabe que é uma fórmula química que produz o efeito desejado?”

“Sim, e também sei que é uma fórmula inorgânica”, foi a resposta. “O conteúdo de uma pequena garrafa de iodo despejado em um reservatório, consegue restaurar ao normal as glândulas tireoides de toda uma cidade. A Solução Pineal, vamos chamá-la assim, sem sombra de dúvida reagiria da mesma forma. Tudo o que eu peço é o método de preparação desta solução química. Essa é a única arma que desejo”.

O Chefe de Marte se curvou para mais próximo de Calvin e falou com uma voz bem suave. “Há muito tempo atrás, Marte, ao se deparar com a sua iminente destruição, conseguiu encontrar os meios para a sua salvação. A Terra deve fazer o mesmo. Se o mero erguer de um dedo fosse só o que tivéssemos que fazer para salvá-la, ainda assim o dedo não seria erguido. A Terra deve salvar-se a si mesma.”

Os lábios de Calvin se contorceram num espasmo ao se dar conta de que havia jogado sua última cartada. Sua mão havia perdido; seus Ases foram superados. Ele se virou em desespero e saiu do salão de reunião.

Sua mente trabalhava febrilmente enquanto ele subia em espiral até a superfície inóspita do planeta Marte. De algum jeito ele tinha que conseguir arrancar a informação da boca relutante daqueles icebergs ambulantes. Sem esse conhecimento ele não poderia voltar para o seu mundo, onde a democracia se agarrava por um fio ao seu último ponto de apoio no litoral oeste do que um dia havia sido os Estados Unidos. Ele preferia morrer no espaço a retornar sem essa informação.

Foi então que ele lembrou de Deimos!

Deimos! O laboratório gigante de Marte! Era lá que eram reunidos todos os segredos científicos daquela gente – inclusive o segredo da arma que ele havia solicitado. Ele imaginou um plano louco para invadir aquela fortaleza inexpugnável do conhecimento e conseguir pela força aquilo que ele não havia conseguido através dos apelos e súplicas.

Ele nem parou pra pensar duas vezes no assunto, pois a razão o teria impedido de seguir em frente. Há muito tempo atrás, antes que a super-raça dos marcianos tivesse sido encontrada, uma expedição exploratória havia feito uma tentativa de descida em Deimos e foi avisada para se afastar por uma estranha nave espacial. Quando uma segunda expedição, maior que a primeira, ignorou os avisos e seguiu em frente, nunca retornou.

Calvin não tinha nenhuma ilusão, naquele momento, quanto à certeza de falhar em sua tentativa mas ele não se importava. A alternativa ao sucesso era se tornar mártir, e no seu presente estado mental até aquilo seria bem vindo.

As horas que ele levou para chegar até a pequena lua passaram com inacreditável vagareza, mas finalmente seus penhascos irregulares surgiram diante dele. Enquanto ele prudentemente a circulava, ele imaginou se não haveria alguma espécie de campo de força ao redor. Esse era o primeiro obstáculo, já que Calvin não ousava descer até que ele pudesse assegurar-se de que o processo não acabaria por matá-lo.

Ele fez alguns ajustes e uma das duas cápsulas salva-vidas com os quais a nave era equipada escorregou para fora do seu encaixe e lentamente flutuou até a lua abaixo. Era um truque velho, mas ainda assim, eficaz.

Sob a gravidade infinitesimal de Deimos, a pequena embarcação mal parecia se mover pelo espaço, apesar do empurrão inicial. Meia-hora, 45 minutos, uma hora… e então o pequeno projétil atingiu a superfície. Houve uma espécie de borrão visível no momento em que o objeto atingiu o chão, uma leve nuvem de poeira subiu por causa do impacto, e lá estava ela, pousada e ilesa.

Uma suave sensação de triunfo brotou dentro dele. Não havia nenhum campo de força!

Suavemente ele manobrou a nave até pousar num pequeno vale bem raso e plano no lado que ficava oposto ao planeta Marte. Os raios do Sol não iriam atingir aquela área por algum tempo; sua nave, escondida nas sombras, teria mais possibilidades de escapar ser detectada.

Ele saiu, uma figura toda coberta em sua roupa espacial, caminhando com dificuldade na superfície pedregosa de Deimos. Primeiro, ele gravou profundamente em sua mente a imagem dos arredores para que ele não tivesse dificuldades em localizar sua nave quando e se retornasse, e então direcionou seus pensamentos ao laboratório.

Seu problema era dividido em três partes: encontrar o caminho para o laboratório, evitar ser notado, e localizar a Solução Química Pineal.

Primeiro, ele deveria localizar a entrada.

Ele tentou se mover, mas mal havia contraído seus músculos quando de repente perdeu o equilíbrio, girou no ar fazendo um arco e começou a cair numa lerdeza torturante. Quando tentou se levantar, acabou girando mais uma vez numa segunda e ridícula cambalhota.

Calvin soltou um palavrão amargo.

Ele não fazia ideia para onde estava indo, mas também não se importava muito. Obviamente, ficar parado não o levaria a nada, porém se continuasse a se mover em algum momento esbarraria em algo mais cedo ou mais tarde. Era uma generalização bem vaga. De repente, no meio de um dos seus esquisitos, flutuantes e giratórios saltos, ele enrijeceu totalmente o corpo e caiu estatelado no chão, quase sem respirar.

Vindo de algum lugar um pouco à frente, ele ouviu aquele dissonante e desagradável tom da fala marciana. Seu receptor captava os sons claramente mas ele não conseguia entender uma palavra sequer. Ele só era capaz de entender a língua marciana se pronunciada bem devagar e, quanto a falar o idioma — bem, era organicamente impossível para um Terráqueo imitar os sons da língua marciana.

Havia dois deles. Calvin os viu através de uma fenda por entre as pedras à sua direita. Ele mal conseguia respirar. Será que havia, sim, um campo de força? Será que estavam procurando por ele? Se a resposta fosse positiva não havia esperança de permanecer escondido.

De repente ele compreendeu a expressão “intervalo de descanso” na língua marciana, e o som daquela fala interrompeu-se tão rapidamente como havia iniciado. Uma das criaturas caminhou apressadamente em direção ao horizonte, ridiculamente perto de onde ele estava. Enquanto Calvin sentia inveja daquela caminhada tranquila, o outro se aproximou de uma parede de pedras, tocou em uma protuberância e adentrou por uma cavidade que, em consequência, se abriu.

O coração do Terráqueo deu um salto de alegre surpresa. Os deuses do espaço deviam estar ao lado de Calvin, pois bem diante dele se encontrava agora o meio de conseguir entrar. Ele sentiu uma certa superioridade diante daqueles marcianos que escondiam tão mal o seus segredos.

Com muito trabalho, centímetro a centímetro, ele se aproximou da parede para dentro da qual o outro havia desaparecido. Encontrou facilmente a pequena alavanca de metal; não havia nenhuma tentativa de tentar escondê-la. Se estivesse na Terra, isso cheiraria a uma armadilha, mas ele sabia que os Marcianos eram desprovidos da emoção necessária e poderosos demais para recorrer a esse tipo de trapaça.

Ele entrou, como esperado, em uma câmara hermeticamente fechada. A porta interior abriu; ele se encontrava no início de um corredor longo e estreito, cujas paredes brilhavam com uma suave luminescência amarelada. Era absolutamente reto e a falta de lugares para esconder-se perturbava Calvin. Ainda assim estava vazio, e não havia nada que ele pudesse fazer a não ser atravessar.

Quanto mais ia vencendo a distância que o separava do final daquele interminável corredor, mais sentia que a gravidade mais leve de Marte ia ficando mais confortável, se comparada com a total falta de peso de alguns minutos atrás suas solas de aço não faziam nenhum som ao tocar naquele piso que absorvia totalmente o impacto. O corredor terminou em um balcão e Calvin ficou ali por um momento, contemplando o que havia diante dele.

O interior do complexo era completamente visível, esculpido para ser um único e gigantesco salão, particionado em diferentes níveis e seções. Eixos de elevadores e pilares de apoio se estendiam por alturas vertiginosas em uma multiplicidade atordoante. Lá embaixo, tão distante que parecia se perder em meio a uma névoa, um maquinário maciço se avolumava. Ao alcance da mão havia uma variedade assustadora de aparelhos e controles. E por todo o lado, pra lá e pra cá, apressados marcianos.

Havia uma porta entreaberta atrás dele e, com um pequeno salto, atravessou-a. Ela levava a um cômodo vazio, alguma espécie de armário ou despensa. Ali dentro ele desaparafusou seu capacete, respirou fundo aquele ar fresco e revigorante, e parou pra pensar o que faria a seguir.

No momento ele estava sem saída, pois o local estava enfestado de marcianos. A incrível sorte que havia tido até aquele momento já devia estar prestes a acabar e, mesmo naquele esconderijo, ele não estava totalmente seguro. Então, de repente, o brilho amarelado das paredes desapareceu, dando lugar a um outro brilho, azul, fantasmagórico.

Calvin levou um susto e sua tensão aumentou ainda mais. Será que era um sinal de que havia sido descoberto? Será que estavam fazendo jogos psicológicos com ele?

Foi quando outra mudança chamou sua atenção, interrompendo seus pensamentos. O som intermitente que impregnava todo o complexo havia diminuído até desaparecer e dar lugar a um silêncio profundo. O medo foi substituído pela curiosidade, e Calvin abriu a porta muito lentamente e saiu, na ponta dos pés. O imenso laboratório também estava reluzindo com a mesma luz azul esquisita, e Calvin sentiu algo como pequenos dedos gelados de inquietação passeando pela sua coluna vertebral enquanto ele examinava a área, que agora era um reino de sombras suaves, muito mal iluminado por uma luz fraca e triste.

Ele lembrou das duas palavras que ouvira um dos marcianos murmurar na superfície: “intervalo de descanso”. Era o que tudo isso significava! A esperança retornava. Sua sorte ainda se mantinha firme!

O próximo passo era localizar o segredo da Solução Química Pineal. Ao observar em mais detalhes aquela vastidão escura, tão apavorante em sua extensão, e tão misteriosa no que diz respeito ao que ela esconde, pela primeira vez ele se deu conta do tamanho da tarefa que tinha diante de si.

Ele parou por um minuto para pensar. O laboratório teria que ter sido montado de uma forma lógica, que servisse aos propósitos dos marcianos. O que tinha que fazer era localizar primeiramente a seção dedicada à Química e, se não desse em nada, supondo que ele ainda estivesse solto por aí, tentaria a seção de Biologia.

O elevador, que mal podia enxergar em meio àquela frágil luz azulada, estava a uma curta distância a sua direita. Por sorte, a energia não havia sido totalmente desligada durante o intervalo de descanso e Calvin pode descer até o andar mais baixo a uma velocidade que o deixou praticamente sem ar.

Calvin sacou sua lanterna. Ele teria que usá-la agora, mesmo arriscando ser descoberto. O fino facho de luz revelou gigantes estruturas ao seu redor, que se estendiam mais longe do que a luz de sua lanterna podia alcançar. O terráqueo não as reconheceu, apesar de ter alguma familiaridade com a ciência terrestre, mas não pareciam ter nada a ver com o estudo de Química. Escolhendo cuidadosamente o caminho através de pistas estreitas que corriam por entre as estruturas, com a lanterna sempre apontando o caminho, finalmente emergiu em um espaço relativamente aberto.

Era óbvio que ele estava em alguma espécie de sala geradora de força. A sua direita, um gigantesco motor que, mesmo desligado, passava uma aterradora aura de poder. Diretamente a sua frente havia um pequeno gerador atômico. Ele observou o objeto com certo interesse, pois a Terra havia dado somente alguns passos incertos em direção ao desenvolvimento da energia atômica. Mas ele não tinha muito tempo e teve que deixar pra lá.

Ele alcançou uma área espaçosa do laboratório, ocupada somente por mesas baixas nas quais havia objetos envoltos por alguma coberta, que pareciam aumentar de tamanho na suave luz azul mas que pareciam pular para fora das sombras quando o facho de luz passava por eles.

O cheiro da formalina atingiu as narinas de Calvin e ele se deu conta imediatamente que estava em uma sala de dissecação. Ele se contorceu ao mero pensamento do que poderia haver por debaixo daquelas cobertas e apressou o passo.

Um pouco mais adiante ele passou por entre gaiolas de arame e um nauseante cheiro de vida animal o alcançou. “Wombos” marcianos, “skorats” de Europa, e camundongos brancos terrestres comuns guincharam e chiaram por causa da intrusão. Calvim mal deu uma olhada neles e seguiu caminho.

Havia prateleiras e mais prateleiras com garrafas de formato cúbico contendo o inseto marciano de criação rápida que havia substituído a clássica mosca-de-frutas mesmo na Terra; filas e mais filas de culturas de bactérias; pilhas e mais pilhas de lentes, espelhos e outras quinquilharias de uso ótico. Calvin sentia-se como se estivesse em uma espécie de museu, no qual cada canto apresentava algo novo e surpreendente e que, sob nenhuma circunstância, se repetia.

Ele estimou ter passado mais de uma hora e meia em uma busca que não deu em nada até dar de cara com uma sala que continha vários produtos químicos. Dividida em duas por uma parede que batia na cintura e que continha receptáculos de alto a baixo contendo todo o tipo de containers de vidro, de cera e de borracha que continham soluções para testes de variedade infinita. Acima de tudo, indistinguíveis uns dos outros, misturavam-se os odores de todos aqueles produtos químicos, criando uma atmosfera tangível que o relembrava vividamente das aulas de Química do segundo grau.

Ele apontou a lanterna para cima e encontrou o “teto”, que nada mais era que a parte de baixo do segundo andar.  Um dos onipresentes elevadores se encontrava ao seu lado. Ele entrou e começou a subir silenciosamente.

No segundo andar, e no terceiro, e no quarto, seus olhos encontraram o mesmo cenário. Receptáculos para outros produtos necessários em Química: tubos, frascos, todo o tipo de conteiners de vidro de formas complicadas, tubos de borracha, pratos de porcelana e cadinhos de platina.

Então ele chegou aos laboratórios de testes e, ao fazê-lo, não conseguiu evitar passar mais tempo ali. Havia um tanque cheio de um gás verde e miásmico, com certeza clorina, conectado por uma série de tubos intrincadamente posicionados (no momento fechados por torneiras), ligados a um frasco cheio de um líquido sem cor. Um pouco mais adiante, um fluido fosco pingava lentamente, surgindo de um par de longas buretas e caindo em dois frascos que continham alguma substância química roxa que fervia.

Do outro lado, à distância, quase fora do alcance do feixe de luz, havia uma complicada teia de tubos de vidro, no centro da qual havia uma proveta sobre uma pequena chama. Dentro, um líquido viscoso e vermelho borbulhava e gorgolejava, e Calvin foi capaz de sentir o odor penetrante que emanava.

A quantidade de andares parecia não ter fim. Após passar pelo décimo-sétimo andar, chegou ao laboratório de análises. No vigésimo-quinto andar ele reconheceu instalações para Química-orgânica; no trigésimo-quinto, Química-física; no quadragésimo, Bioquímica.

Era uma enorme conquista digna dos super-seres marcianos porém, para Calvin, representava a derrota. Nada do que ele viu forneceu a menor pista da natureza ou da composição da Solução Química Pineal, e em nenhum dos andares ele encontrou nem ao menos um arquivo de notas, ou mesmo algo que parecesse uma biblioteca de Química.

Só faltava investigar o nível mais alto, porém ele estava totalmente vazio. Era enorme, mais de 100 metros em todas as direções, era o que conseguia estimar naquela fraca luz azul. Mas tudo o que ocupava o espaço eram estruturas baixas e cúbicas que ficavam encostadas na parede.

Havia centenas desses cubos, rodeando todo o compartimento, todas iguais. Tinham aproximadamente um metro de altura, largura e profundidade, cada uma delas em cima de quatro pés atarracados. O lado virado para o centro do salão era feito de um metal vídrico fosco, e os outros lados eram de metal comum.

Na parte de cima de cada uma delas havia um único ideograma marciano, gravado em dourado, e abaixo dele um numeral também na língua marciana. Calvin compreendeu imediatamente o significado. Dizia “Resumo 18”.

Os olhos de Calvin se estreitaram — resumo do que? A explicação lógica seria um resumo de todos os dados referentes ao estudo da Química feito pelos marcianos, uma espécie de enciclopédia de Química. Ele se aproximou dos cubos com uma curiosidade incontrolável, reparando que cada cubo estava marcado com um número diferente. Ele selecionou o que estava marcado com o número 1.

Seus dedos encontraram um segmento protuberante no canto superior direito da face que estava voltada para ele. Uma leve pressão foi suficiente para arrastar a protuberância para o lado e revelar uma pequena alavanca que saía de dentro de uma fenda em forma de meia-lua. Sem hesitar, ele moveu a alavanca suavemente para a esquerda. Imediatamente a face vítrea frontal ganhou vida — um brilho apareceu vindo lá de dentro, algo muito parecido com uma tela de TV da Terra. Mas não era tudo. De baixo para cima começou a surgir lentamente na tela um texto. Calvin leu devagar e com redobrada atenção, pois era um linguajar técnico. É difícil aprender uma língua que não se consegue pronunciar ou reconhecer de imediato. Seu palpite era correto. Estava diante de uma enciclopédia organizada em ordem alfabética.

Ele retornou à alavanca e a colocou novamente na posição central, o que fez com que o texto parasse e que a tela se apagasse. Uma vez mais ele a moveu para a esquerda e o texto retornou. Movendo-a ainda mais para a esquerda, o texto corria na tela ainda mais rápido. Quanto mais ele empurrava a alavanca, mais rápido corria o texto, até que se tornou um borrão cinza na tela. Temendo danificar o equipamento, Calvin retornou a alavanca para a posição central.

Agora, empurrando-a para a direita, o texto começou a mover-se na direção oposta até que alcançou o início e a luz se apagou mais uma vez.

Calvin deu um suspiro de satisfação. Estava claro qual seria o próximo passo. Encontrar o artigo que continha o termo marciano para “glândula pineal”.

Agora que estava tão próximo de seu objetivo, Calvin sentiu suas pernas bambearem.

Mesmo sentindo calafrios crescendo por dentro, ele passou os olhos pela fileira de cubos, buscando por aquele artigo e agradecendo aos Marcianos por também acharem conveniente usar uma organização por ordem alfabética.

Os textos continuavam a subir, frios e sem emoção, milhares de palavras sobre cada aspecto das glândulas pineais. Calvin continuava lendo sem nem respirar, compreendendo não mais do que um décimo do que estava escrito, na esperança de esbarrar com a informação vital que estava procurando.

E finalmente ela apareceu, tão inesperadamente que ele passou direto. Ele começou a rir histericamente enquanto operava a máquina para dar a volta no texto e teve que desligá-la por cinco minutos antes que a dolorosa sensação de alívio que tomava conta dele tivesse diminuído.

Ele leu e releu a descrição da solução química e os métodos para a sua produção. Nada mais era do que bromina, um elemento abundante na água do mar, com uma pequena diferença. A Solução Química Pineal era um isótopo daquele halogêneo; um isótopo que não era encontrado na natureza e que só poderia existir por um limitado período de tempo quando produzido artificialmente. Em uma linguagem enigmática porém concisa, a natureza e a força do bombardeio de nêutrons que produziria o isótopo era descrita, e a informação ficou muito bem guardada no cérebro de Calvin.

E finalmente ele havia conseguido. Agora tudo o que restava era retornar à Terra. Seguramente, após ter realizando tantas façanhas para vencer não só o laboratório mas também o planeta Marte, o retorno não deveria assustá-lo. Um sentimento refrescante de triunfo o atravessava, um triunfo que explodiu em uma gargalhada sonora e que acabou sendo interrompida de repente.

A luz havia mudado! O leve azul deu lugar a um amarelho brilhante de uma forma tão inesperada que o deixou sem ar, desnorteado e cego.

Marcianos apareceram do nada e o cercaram. Calvin caiu para trás, totalmente sem ação diante da mudança total de cenário. E foi assim que, ao reconhecer a face severa e imóvel do Chefe Ancião em meio a aglomeração, todas as suas emoções explodiram em um único fluxo dilacerante de raiva.

Ele sacou sua arma de raios, destravou-a e fez a mira em apenas um movimento, mas sob o olhar frio do líder marciano ele sentiu seu braço adormecer e relaxar. Não adiantava o quanto tentasse, não conseguia fazer seu dedo apertar o gatilho. Em alguns segundos, ouviu o barulho da sua arma caindo no chão.

Seguiu-se um longo silêncio, até que o Chefe Ancião começou a falar. “Você fez um bom trabalho, homem da Terra. Foi um pouco descuidado, mas soube aproveitar quando apareceu a oportunidade.”

Um olhar de surpresa apareceu no rosto de Calvin. “Você estava me observando o tempo todo?” ele exigiu saber. “Me deu esperanças e me deixou atingir meu objetivo somente para arrancá-lo de mim no final?” Era difícil respirar. “Então quer dizer que Marcianos possuem emoções suficientes para ter prazer na crueldade, é isso?”

Calvin sentia-se fraco e impotente.

“Eu já sabia o que você ia fazer desde o começo,” o chefe ancião dizia. “Nós antevemos a possibilidade de uma incursão em Deimos em função da sua psicologia particular, consequentemente removemos os escudos de energia do satélite; revelamos os meios para entrar; inventamos um horário de descanso fictício; evitamos interferir até que você tivesse descoberto sua preciosa arma. O experimento foi um sucesso absoluto.”

“E o que irão fazer agora?” foi a pergunta amarga de Calvin. “Suas explicações não me interessam.”

“Fazer? Como assim? Não faremos nada!” foi a resposta, dita lenta e comedidamente. “Sua nave está a salvo. Retorne à Terra com a arma.”

Os olhos de Calvin se arregalaram. Ele começou a gaguejar palavras sem sentido. Quando recuperou-se o suficiente, conseguiu retrucar violentamente, “Mas você recusou-se a me dar o segredo quando nos encontramos pela primeira vez em Marte!”

“Verdade! Mas nunca dissemos que não o deixaríamos tomá-la. Enquanto a Terra suplicasse por ajuda, continuaríamos a recusá-la, pois cada mundo deve resolver seu próprio destino. No entanto, quando a Terra se nega a aceitar a nossa recusa e, representada pela sua pessoa, faz uma tentativa (mesmo que destinada a falhar) de por em prática um plano sem nem um momento de hesitação, então termina a nossa recusa. Nós não entregamos a arma a você; você a tomou de nós. Pode retornar à Terra agora com a sua arma.”

E foi assim que Preston Calvin aprendeu um pouco mais sobre os processos mentais desse povo alienígena e incompreensível. Ele fez um movimento afirmativo com a cabeça e, com a voz trêmula, sussurrou, “Vocês são um povo estranho, mas fantástico!”

00 – Irmãos Menores

FICHA TÉCNICA:

  • Primeira aparição: Revista literária da Brooklyn Boys High Recorder (Primavera 1934) – Asimov tinha 14 anos.
  • Outras aparições: Before the Golden Age (1974) – não aparece no índice, mas está no início do ensaio 1934; Opus 200 (1979); Além dessas duas aparições, uma edição limitada foi produzida em 1989 – apenas 126 cópias foram impressas, das quais 100 foram distribuídas – todas elas, autografadas por Asimov. Sabemos que uma cópia foi enviada para Arthur C. Clarke (veja página 108 do livro Yours, Asimov).
  • Observação: Na data de hoje, procurando na internet, encontrei 3 cópias desse livro disponíveis para venda, com preços que variam de R$500 a R$750. Alguém se habilita? (AbeBooks.com)
  • Comentários: O próprio Asimov nem lembrava direito desse texto até mencioná-lo a título de curiosidade no livro Como Tudo Começou (Early Asimov). Após o fato, começou a pensar no assunto e, encucado sem saber se o texto ainda existia, tratou de garimpa-lo (ele descreve os detalhes de sua busca no livro Opus 200, no início do último capítulo: Autobiografia).

O texto nada mais é do que isso mesmo: uma curiosidade, um documento histórico, um exercício literário de um menino de 14 anos que, como ele mesmo diz, não demonstrava em absolutamente nada que aquele rapaz teria algum talento literário e se tornaria um dos escritores mais prolíficos da história da humanidade. A tradução a seguir é inédita. Divirta-se!

 

Irmãos Menores

(Tradução livre para o blog Eu, Asimov – por João Wolf)

Minha missão neste momento é expressar os rancorosos sentimentos que nós, os irmãos maiores (desgraçadas sejam nossas vidas) temos pelos nossos irmãos menores.

Quando eu recebi pela primeira vez a notícia que teria um irmãozinho, no dia 25 de julho de 1929, me senti um pouco desconfortável. Eu mesmo não sabia nada a respeito de ter um irmão, mas muitos dos meus amigos já haviam relatado em inúmeras histórias as inconveniências (para dizer o mínimo) de ter que cuidar de bebês.

No dia 3 de agosto chegou em casa meu irmãozinho. Tudo o que eu via era um amontoado de pele rosada, aparentemente sem a capacidade de causar estrago nenhum.

Naquela mesma noite, eu pulei da cama repentinamente com arrepios por todo o corpo e de cabelo em pé. Eu havia escutado um guincho que não parecia ter sido produzido por nenhuma criatura deste planeta. Em resposta às minhas frenéticas indagações, minha mãe me informou de maneira muito natural que havia sido simplesmente o bebê. Simplesmente o bebê! Eu quase caí duro no chão. Um insignificante bebê, de apenas 4 quilos, com dez dias de idade, ser capaz de gritar daquela maneira! Como assim? Eu tinha certeza que nem mesmo três homens gritando juntos conseguiriam produzir tantos decibéis, mesmo utilizando ao máximo suas cordas vocais.

Mas isso havia sido só o começo. Quando os dentinhos dele começaram a nascer, começou também a tortura de verdade. Eu não consegui pregar o olho por dois meses. Eu só conseguia continuar vivendo porque dormia de olhos abertos na escola.

E ainda tem mais. A Páscoa estava chegando e eu estava todo animado com a ideia de viajar para Rhode Island – até que aquele pivete do meu irmão pegou sarampo e todos os planos viraram pó.

Assim que ele atingiu a idade em que todos os seus dentes já haviam nascido, achei que teriam um pouco de paz, mas não, isso não poderia ser. Eu ainda não havia aprendido que quando uma criança aprende a andar e a emitir aquele balbuciar de bebê, ela vira algo pior que um tufão.

O passatempo favorito dele era cair das escadas, atingindo cada degrau com um barulho retumbante. Isso acontecia em média uma vez a cada dois minutos, e sempre vinha acompanhado de uma repreensão da minha mãe (não para ele, mas para mim por não estar tomando conta dele direito).

“Tomar conta” dele não é tão fácil quanto parece. Os bebês têm o hábito de mostrar a sua devoção agarrando generosos fachos de cabelo e puxando-os com uma força que você nunca poderia imaginar que um ser de um ano de idade seria capaz de possuir. Quando, após alguns minutos de tortura excruciante, você consegue convencê-lo a soltar, ele resolve se distrair batendo na sua canela com um pesado pedaço de ferro, de preferência um que seja afiado ou pontudo.

Um bebê não é uma peste somente quando está acordado; ele é assim também quando está tirando sua sonequinha da tarde.

Cena típica: Estou sentado em uma cadeira ao lado do berço, totalmente imerso na história dos Três Mosqueteiros, e meu irmão está, aparentemente, dormindo pacificamente; só que não. Com um instinto sinistro, apesar de seus olhos fechados e a ausência da habilidade de ler, ele sabe exatamente quando eu chego numa parte emocionante e, com um sorriso malicioso, escolhe exatamente aquele momento para acordar. Com um resmungo eu deixo meu livro de lado e começo a balançar o berço até que meus braços pareçam que vão cair a qualquer momento. Quando finalmente ele volta a dormir, eu já perdi o interesse no famoso trio de mosqueteiros e meu dia está arruinado.

Agora meu irmãozinho já está com quatro anos e meio e a maioria desses hábitos irritantes já desapareceram, mas no fundo eu sinto que ainda há mais por vir. Eu temo o dia em que ele começará a frequentar a escola, colocando um novo fardo em meus ombros. Tenho certeza absoluta que eu serei afligido não somente pelos trabalhos de casa passados pelos meus próprios professores insensíveis, mas ficarei responsável também pelos do meu pequeno irmãozinho.

Nem morto!

(Nota de Asimov: Desnecessário dizer que este texto é completamente ficcional, a não ser pelas datas de nascimento do meu irmão e sua chegada em casa, que estão corretos. Na verdade, meu irmão Stan era uma criança modelo, que me deu muito pouco trabalho. Sim, eu o empurrava no carrinho um bocado, mas eu tinha sempre um livro aberto na barra de direção, então eu não me importava. Eu também me sentava ao lado do berço quando ele estava dormindo, mas, de novo, eu estava sempre lendo – e ele raramente me perturbava. E, quando chegou a época, sempre fez seu próprio trabalho de casa.)

Estamos de volta!

Olá pessoal! Boas notícias, em breve continuaremos com as atualizações no site!

Atualizações nas listas, novas traduções, guias, resenhas e muitas novidades!

Obrigado àqueles que continuaram nos acompanhando e visitando o site mesmo sem novas atualizações por todo esse tempo.

Abraço!

João Wolf

Isaac Asimov’s Magazine V02N06 (nov/dez 1978)

Décima edição da revista Isaac Asimov’s Science Fiction Magazine.

Por motivo de viagem, as traduções estão sendo feitas aos poucos, porém resolvemos adiantar e postar as páginas em inglês desde já.

Em breve teremos a tradução em português, obrigado por aguardar.

(Incluindo um presentinho de Natal — o Conto As Chemist to Chemist, by Isaac Asimov)

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Abaixo, a seção de cartas. Clique na imagem para amplia-la.

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Isaac Asimov’s Magazine V02N05 (set/out 1978)

Nona edição da revista Isaac Asimov’s Science Fiction Magazine.

Por motivo de viagem, as traduções estão sendo feitas aos poucos, porém resolvemos adiantar e postar as páginas em inglês desde já.

Em breve teremos a tradução em português, obrigado por aguardar.

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EDITORIAL: POPULAR, MAS NUNCA VULGAR

A palavra em Latim “populus” significa “pessoas”; a palavra em Latim “vulgus” significa “pessoas”.

Em Inglês (e em Português também) temos a palavra “popular” e a palavra “vulgar”, ambas se referem a atributos relacionados a pessoas. Podemos ter, por exemplo, “eleições populares”, que significa que as pessoas em geral, em vez de apenas um grupo privilegiado de indivíduos, podem votar. Temos também “língua vulgar”, que significa a língua falada pelas massas, em vez do Latim que era falado pelas altas classes.

Claro que podemos, ao utilizar o termo “pessoas”, nos referir a toda a população sem nenhuma distinção. Podemos, por outro lado, nos referir à maioria das pessoas mudando o termo para “pessoas comuns”, distinguindo-as das classes “melhores” – melhores seja através do nascimento, educação ou autoestima.

É possível, para os que possuem uma mente democrática, usar os adjetivos com um sentido favorável e ter os melhores pensamentos em tudo o que se refere às características das pessoas. Para os que possuem uma mente mais esnobe, é possível usar os adjetivos com um sentido desfavorável, e pressupor que tudo o que agrada às massas tem que ser necessariamente de qualidade inferior, posto que somente um longo processo de cultivo intelectual pode subir o nível de fruição até que alcance o gosto refinado desses privilegiados.

Em nosso idioma Inglês, diferenciamos esses dois significados, e “popular” acabou por representar os aspectos favoráveis do gosto geral, enquanto “vulgar” passou a representar os aspectos desfavoráveis. Por isso que Shakespeare faz com que Polonius aconselhe seu filho da seguinte forma: “Seja popular, mas nunca vulgar”.

Em Francês, creio que a distinção seja menos evidente. Eu mesmo, por exemplo, já fui descrito em Francês como estando envolvido com a “vulgarização” da ciência. Esse comentário teria me deixado irritado se as frases em volta não deixassem claro que se tratava de um elogio.

Em Inglês, no entanto, somente é possível dizer que eu sou um “popularizador” da ciência. Se alguém tentar afirmar que sou um “vulgarizador” da ciência, é melhor que seja um amigo meu e que esteja sorrindo na hora que o disser.

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Apesar disso, não consigo evitar pensar que, para alguns cientistas, não existe “popularização” da ciência, somente “vulgarização”.

Por que? Pela razão de sempre – arrogância.

Não é raro encontrar um cientista que se ache um membro da aristocracia intelectual. Alcançar

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Abaixo, a seção de cartas. Clique na imagem para amplia-la.

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Isaac Asimov’s Magazine V02N04 (jul/ago 1978)

Oitava edição da revista Isaac Asimov’s Science Fiction Magazine. Seguimos disponibilizando os Editoriais de Asimov traduzidos para o português. Divirta-se!

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Editorial: É uma coisa engraçada

É uma coisa engraçada, mas muitos iniciantes tentam escrever ficção-científica de humor. O que faz disso algo engraçado é que ser engraçado é muito difícil, e mesmo alguns excelentes escritores de ficção-científica não conseguem manejar o humor — mesmo assim muitos iniciantes acham que conseguem.

Por que é tão difícil ser engraçado?

Pra começo de conversa, você tem que acertar o alvo. Se você está buscando drama, é capaz de você, mesmo conseguindo um resultado patético, conseguir algum resultado meia-boca e até vender a história se sensibilizar o editor, mesmo que ele não chegue às lágrimas. Se você está buscando o suspense, você pode atingir um suspense moderado e vender a história se conseguir acelerar um pouco o coração do editor, mesmo que não saia galopando.

Você pode atingir próximo ao alvo, mesmo que não seja na mosca, em quaisquer outras características que buscamos na ficção, e mesmo assim conseguir vender a história.

Com exceção do humor. O alvo do humor tem que ser a mosca. Não existe outra opção.

Você consegue imaginar algo que seja somente meio engraçado? Você já ouviu alguém contar uma história que fosse só “um pouco humorística”? O que acontece?

Claro! Ninguém ri. Na melhor das hipóteses, alguém poderá exibir um sorriso por educação.

Uma história engraçada, no entanto, quando é realmente engraçada, é algo muito bom e deve ser encorajado. Bom humor, perspicácia, até certa molecagem, quando bem feita, contribui para a alegria das nações e para a eupepsia* dos indivíduos.

(*Ué, vá olhar no dicionário. Como você acha que poderá se tornar um escritor se não aumentar o vocabulário?)

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Mesmo assim, até os melhores de nós não nascem já sabendo como escrever com humor. Temos que praticar um pouco no início para ver se temos talento   se o tivermos, temos que desenvolvê-lo através da prática contínua.

Então, aqui vão algumas regras que podem ser úteis.

  1. Mantenha o texto curto. A não ser que você seja um gênio nato da comédia, um Mark Twain ou um P.G. Wodehouse, você não conseguirá manter um nível constante e satisfatório de humor por toda a extensão de um romance. De fato, quanto mais tempo você tentar mantê-lo, menor a possibilidade de você conseguir evitar cair na insipidez ou no doloroso exagero. Minha opinião pessoal é que você deve tentar manter a extensão do texto em, no máximo, 3000 palavras.
  2. Não tente fazer com que cada frase seja sensacionalmente engraçada. Em primeiro lugar, você irá se cansar demais e morrer jovem, e um escritor morto não nos serve. Em segundo lugar, você não vai conseguir. E em terceiro lugar, humor contínuo, mesmo se alcançado, provavelmente não é eficiente. O leitor irá se gastar de rir no início e achará o resto da história um tédio. Aqueles intervalos periódicos que dão ao leitor tempo de recarregar sua reserva de risadas são importantes.
  3. O humor não é, em si, uma história. O humor, se bem feito, tem o poder de melhorar uma história; mas o humor não transforma uma história ruim em uma história boa. Se você está escrevendo uma história de ficção-científica de humor, certifique-se que, ao retirar as partes engraçadas, o que sobrar ainda seja uma história de ficção-científica razoavelmente boa por si.

Agora vamos considerar uma subdivisão dentro das histórias de ficção-científica humorísticas: as histórias de Ferdinand Feghoot (O nome é derivado de uma série escrita por Grendel Briarton (Reginald Bretnor) sobre um cavalheiro com esse nome. As histórias apareceram em 2 livros e 3 revistas, incluindo esta aqui). Esse tipo consiste em uma história cuja única razão para a sua existência é terminar em um elaborado trocadilho.

Há regras para esse tipo de história também.

  1. Já que o trocadilho final é a razão para a história, é óbvio que não podemos sobrecarregar o trocadilho com uma história longa demais, ou o anticlímax irá provocar uma raiva assassina (rosnado) mesmo no mais gentil dos editores — que é como George pode ser descrito. Seja objetivo, eu diria que o texto não deveria passar de 500 palavras.
  2. Mesmo essas 500 palavras precisam perfazer uma história de ficção-científica decente, que não force a barra de forma óbvia em preparação para o trocadilho. O ideal seria o leitor não suspeitar que um trocadilho está a caminho, dessa forma não terá tempo de intensificar seus sentimentos de hostilidade homicida.
  3. Busque o equilíbrio perfeito. A frase que funciona como trocadilho deve ser longa o suficiente para que o leitor a ache engenhosa, mas não tão comprida que o canse antes do fim. O ideal seria que o leitor possa ler a frase em uma olhada.

A distância entre o trocadilho e a frase como um todo deve ser grande o suficiente para se tornar engenhosa e imprevisível, mas não tão esticada que, mesmo após o leitor ler a frase, haja um perceptível período de tempo no qual o leitor não sabe do que você está falando. Lembre-se que a piada deve ser entendida imediatamente. Mesmo uma pequena pausa poderá ser fatal para a gargalhada.

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4.  O trocadilho é feito para o ouvido. É o som que conta, não a aparência. (Em seguida Asimov dá um exemplo de um trocadilho onde, apesar de a palavra ser escrita de forma diferente, a pronúncia é a mesma, garantindo que o trocadilho funcione. Ele segue com um segundo exemplo onde a escrita é a mesma porém a pronúncia é diferente, e afirma que, mesmo lendo silenciosamente em sua cabeça, a pronúncia diferente da palavra faz com que o trocadilho não funcione tão bem. Não sei se essa regra a que Asimov se refere funciona da mesma forma em Português, mas creio que não seja o caso – nota do editor/tradutor).

Para resumir, o tipo de trocadilho ideal, em minha opinião nada modesta, é a minha obra “Sure Thing” (Com Certeza, em tradução livre) na edição de Verão de 1977 da revista Isaac Asimov Magazine. Leia-a novamente e você verá. Há também dois exemplos autênticos na edição de Outono de 1977 da Isaac Asimov Magazine, se você quiser compará-los.

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Um último aspecto a ser mencionado é um aspecto triste. Mesmo uma história bem humorada ou um texto excelente do tipo de Ferdinand Feghoot não possui garantias de ser aceito para publicação. Uma revista deve ter variedade para ter sucesso, e essa variedade deve refletir, com um mínimo de precisão, o gosto e preferências de seus leitores.

O fato é que muitas pessoas não gostam de textos de humor e muitos mais nutrem uma antipatia fanática pelo trocadilho mais inofensivo. Portanto devemos semear os nossos textículos humorísticos de forma suave na página de índice, enquanto aqueles com trocadilhos mais pesados devem aparecer somente quando as antenas do nosso Gentil Editor transmitirem a ele a mensagem que um intervalo suficiente já passou desde a última vez, para que seja seguro imprimir um novo.

Mas eu lhes asseguro que George e eu (que somos como uma só pessoa no que se refere a tudo que é literário) somos jovens de coração alegre cuja inclinação para o riso só é excedida pelo nosso amor por uma boa gargalhada, e iremos fazer com que esta revista seja tão alegre quanto possível — se os escritores cooperarem.

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Abaixo, a seção de cartas. Clique na imagem para amplia-la.

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Isaac Asimov’s Magazine V02N03 (mai/jun 1978)

Sétima edição da revista Isaac Asimov’s Science Fiction Magazine. Seguimos disponibilizando os Editoriais de Asimov traduzidos para o português. Divirta-se!

 

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EDITORIAL: O Nome de Nosso Campo

No editorial da última edição, falei sobre as “viagens extraordinárias”de Júlio Verne e que elas levantam a questão de como é difícil encontrar um nome para o tipo de publicações que temos aqui nesta revista e em outras do mesmo tipo.

Esta revista contém “histórias”; e uma “história” nada mais é do que recontar eventos, descrevendo detalhes de forma organizada. O relato pode ser tanto de incidentes reais como inventados, e com o tempo passamos a separar a “História” como a realidade, e simples “histórias” como algo ficcional. Em inglês usamos duas palavras diferentes: History para o primeiro caso e story para o segundo caso.

Um “conto” é algo que é “contado”, e uma “narrativa” é algo que é “narrado”. Tanto “contar” como “narrar” podem ser usados para acontecimentos reais ou inventados. “Narrar” é a palavra menos usada das duas simplesmente porque é mais difícil de falar e por trazer uma sensação de mais formalidade.

Uma palavra que é usada exclusivamente para peças criadas da imaginação e nunca para as histórias reais é “ficção”, que vem de uma palavra do latim que significa “inventar”.

O que esta revista contém, então, são histórias — ou contos — ou, mais precisamente, ficção. Naturalmente, há diferentes variedades de ficção, dependendo da natureza de seu conteúdo. Se os eventos relatados lidam principalmente com amor e relacionamentos, temos as “histórias de amor” ou “contos de amor”. Do mesmo jeito, podemos ter “histórias de detetive” ou “contos de terror” ou “ficção de mistério” ou “histórias de confessionário” ou “contos de caubói” ou “ficção na selva”. As peças que aparecem nesta revista lidam, de uma forma ou de outra, com as mudanças futuras no nível da ciência, ou na tecnologia que é movida pela ciência. Será que não faz sentido, então, considerar essas peças como “histórias científicas”, ou “contos científicos” ou, mais precisamente, “ficção científica”?

No entanto, o termo “ficção científica”, um nome tão óbvio quando se pensa nele, só surgiu muito tarde. As viagens extraordinárias de Júlio Verne eram chamadas de “fantasias científicas” na Grã-Bretanha, e o termo parecido, “science fantasy“, ainda é usado até hoje.

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“Fantasia” é uma palavra derivada de outra, grega, que significa “imaginação”, então não é completamente inapropriada, mas implica na existência mínima de restrições do que se pode fazer. Quando falamos em “fantasia” nos dias de hoje, geralmente estamos nos referindo a histórias que não dependem das leis da natureza descobertas pela ciência, enquanto histórias de ficção científica dependem.

Outro termo usado nos anos 20 nos Estados Unidos era “scientific romance”, ou “romance científico”. A palavra romance era usada originalmente para descrever qualquer coisa publicada nas línguas românicas, ou seja, os idiomas comuns da Europa ocidental; isso quer dizer que era utilizado para se referir a textos cujo objetivo era a diversão. Trabalhos mais sérios eram escritos em latim, claro. O problema é que “romance” passou a ser aplicado para histórias de amor, então “romance científico” ficou esquisito.

“Histórias de pseudo-ciência” já chegou a ser usado, mas é um insulto. “Pseudo” vem de uma palavra em grego que significa “falso”, e mesmo que as extrapolações da ciência usadas na ficção científica não sejam ciência de verdade, também não chegam a ser ciência de mentira. Elas são “ciência que um dia pode vir a ser verdade”.

“Histórias de super-ciência”, mais outro nome que chegou a ser usado, é muito bobo e infantil.

Em 1926, quando Hugo Gernsback publicou a primeira revista da história a ser devotada exclusivamente à ficção científica, ele a denominou Amazing Stories. (que pode ser traduzido por histórias espetaculares, incríveis, surpreendentes)

Esse nome pegou. Quando apareceram outras revistas, sinônimos para “amazing” foram frequentemente usados. Tínhamos Astounding Stories, Astonishing Stories, Wonder Stories, Marvel Stories, e Startling Stories. Todas essas revistas estavam nas bancas na época em que o mundo e eu éramos jovens.

Esses nomes, no entanto, não descrevem a natureza das histórias mas, sim, seus efeitos no leitor, e isso não é suficiente. Uma história pode surpreender, maravilhar ou assustar você; pode ser incrível ou espetacular; e ainda assim não ser necessariamente ficção-científica. Não precisa nem ser uma história de ficção. Era necessário algo melhor.

Gernsback sabia disso. Originalmente ele havia pensado em chamar a revista de “Scientific Fiction”. No entanto, isso era difícil de pronunciar rapidamente, principalmente por causa da repetição da sílaba “fic”. Por que então não combinar as palavras e eliminar uma dessas duas sílabas? Teríamos então “scientifiction”. (Imaginem, em português, “ficcientífica”.)

Só que “scientifiction” é uma palavra feia, difícil de entender e, mesmo se compreendida, capaz de afastar aqueles leitores em potencial que correspondem a palavra “científico” com a palavra “difícil”. Gernsback então usou a palavra somente no subtítulo: Amazing Stories: the Magazine of Scientificion. Ele apresentou também a abreviatura “stf”. Tanto a palavra como a abreviatura ainda são usadas de vez em quando.

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Quando Gernsback foi forçado a abrir mão da Amazing Stories, ele publicou uma revista concorrente chamada Science Wonder Stories (algo como Histórias Maravilhosas da Ciência). Em seu primeiro número (junho de 1929) ele usou o termo “ficção científica” e a abreviação “S.F.” — ou “SF” sem os pontos — acabou se popularizando. Em algumas ocasiões o termo apareceu com hifen, “ficção-científica”, mas isso só acontece raramente. A história, no entanto, não termina aí.

Como eu disse na edição passada, existe um sentimento compartilhado por alguns que o termo “ficção científica” dá ênfase demasiada e de forma errônea ao conteúdo científico das histórias. Desde 1960, em particular, a ficção científica passou a transferir uma parte desse foco na ciência para a sociedade, dos aparelhos tecnológicos para as pessoas. Ainda lida com as mudanças no nível da ciência e tecnologia, mas essas mudanças passam cada vez mais para o pano de fundo.

Eu creio que foi Robert Heinlein quem primeiro sugeriu que passássemos a usar o termo “ficção especulativa”; alguns, como Harlan Ellison, apoiam fortemente essa mudança. Para mim, porém, “especulativa” parece uma palavra fraca. Tem quatro sílabas e não é muito fácil de pronunciar rapidamente. Além disso, praticamente qualquer coisa poderia ser ficção especulativa. Um romance histórico pode ser especulativo; uma história sobre um crime real pode ser especulativa. “Ficção especulativa” não carrega em si uma descrição precisa do nosso campo de trabalho e não creio que iria funcionar. Na verdade, eu acho que eles tentaram usar “speculative fiction”, o termo correspondente em inglês, somente para poder manter o “s.f.”

Isso nos leva a Forrest J. Ackerman, um rapaz maravilhoso por quem tenho enorme afeto. Ele é um devoto dos trocadilhos e jogos de palavras assim como eu também sou, mas Forry nunca aprendeu que algumas coisas são sagradas. Ele não resistiu e cunhou “sci-fi” como um termo análogo, em aparência e pronúncia, ao termo “hi-fi”, a conhecida abreviação de “high fidelity” ou, em português, alta fidelidade. “Sci-fi” é agora amplamente utilizado por pessoas que não leem ficção científica. É usado principalmente por pessoas que trabalham no cinema e na televisão. Isso o transforma, talvez, num termo que tem sua utilidade.

Podemos definir “sci-fi” como aquele material de baixa qualidade que algumas vezes é confundido, pelas pessoas ignorantes, com a “SF”. Sendo assim, Star Trek é SF enquanto Godzilla Vs. Mothra é sci-fi.

— Isaac Asimov

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Abaixo, a seção de cartas. Clique na imagem para ampliar.

Isaac Asimov's Science Fiction Magazine v02n03 05 Isaac Asimov's Science Fiction Magazine v02n03 06 Isaac Asimov's Science Fiction Magazine v02n03 07 Isaac Asimov's Science Fiction Magazine v02n03 08 Isaac Asimov's Science Fiction Magazine v02n03 09

 

Isaac Asimov’s Magazine V02N02 (mar/abr 1978)

Sexta edição da revista Isaac Asimov’s Science Fiction Magazine.

Seguimos disponibilizando a tradução dos Editoriais de Asimov. Esperamos que curtam!

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EDITORIAL: VIAGENS EXTRAORDINÁRIAS

Um dos passatempos preferidos por aqueles interessados na ficção-científica — escritores, editores, fãs, leitores — é definir o que é ficção-científica. Mas que diabos é isso? Como diferenciá-la da fantasia? Da ficção em geral?

Provavelmente, existem tantas definições quanto existem pessoas tentando defini-la; e as definições vão desde aquelas dos exclusivistas extremos, que querem a sua ficção-científica pura e com temas mais difíceis, até aquelas dos que querem que sua ficção-científica englobe tudo que existe.

Aqui vai uma definição exclusivista extrema de minha própria autoria: “A ficção-científica lida com cientistas trabalhando com a ciência no futuro”.

Agora veja uma definição inclusivista extrema, de John Campbell: “Ficção-científica é qualquer história que é comprada por um editor de uma revista de ficção-científica.”

Agora, uma definição mais moderada (mais uma vez, de minha autoria): “A ficção-científica é o ramo da literatura que lida com as reações da humanidade às mudanças que ocorrem no nível da ciência e da tecnologia.” Isso deixa em aberto se as mudanças são avanços ou retrocessos e, no que se refere à parte que diz “reações da humanidade”, se o escritor pode referir-se a essas mudanças somente de passagem e sem muitos detalhes.

Para alguns escritores, na verdade, a necessidade de discutir aspectos científicos é tão mínima que eles não gostam nem de usar a palavra “científica” para nomear esse gênero literário. Eles preferem chamar o que quer que seja que eles escrevem de “ficção-especulativa”, o que, em inglês, permite que se mantenha a mesma abreviatura: “SF.” (speculative fiction, como em science-fiction).

(Eu não gosto do termo speculative fiction, a não ser pelo fato que ele talvez pudesse abolir o abominável termo “sci-fi”. Mas aí talvez ele criasse “spec-fic” no lugar, o que é ainda pior)

—> (continua após a figura abaixo)

Isaac Asimov's Magazine V02N02 02

De vez em quando me dá vontade de repensar tudo por um ângulo novo, então porque não buscar uma abordagem histórica para a definição? Por exemplo:

Qual é a primeira obra literária do ocidente que possuímos intacta, e que possa ser considerada pelos inclusivistas como ficção-científica?

Que tal a “Odisséia” de Homero? A obra não lida com a ciência em um mundo que ainda não a havia inventado; mas lida com os equivalentes a monstros extraterrestres, tais como Polifemo, e com pessoas que tem à sua disposição o equivalente à ciência avançada, como Circe.

Mesmo assim a maioria das pessoas se referem à “Odisséia” como um “conto de viagem”.

Mas tudo bem. Os dois pontos de vista não são necessariamente mutuamente excludentes. O “conto de viagem”, no final das contas, era a história de fantasia original. Por que não seria? Antes de nosso tempo, viajar era o árduo luxo de alguns poucos, e somente eles tinham a capacidade de ver coisas que a vasta maioria da humanidade não tinha.

A maioria das pessoas, até pouco tempo atrás, vivia e morria na mesma cidade, no mesmo vale, no mesmo metro quadrado de terra no qual eles nasceram. Para eles, tudo o que houvesse além do horizonte era fantasia. Poderia ser qualquer coisa — e eles poderiam acreditar em qualquer coisa que lhes afirmassem que existisse naquelas terras de maravilhas a mais de 80 quilômetros de distância. Plínio não tinha tanto conhecimento assim que não pudesse acreditar nas fantasias que lhe contavam sobre as terras distantes, e mil anos de leitores acreditaram em Plínio. Sir John Mandeville não teve nenhuma dificuldade em contar suas histórias ficcionais de viagem como se fossem verdadeiras.

E por 25 séculos após Homero, quando alguém queria escrever uma história de fantasia, escrevia um conto de viagem.

Imagine alguém que sai a navegar, chega a uma ilha desconhecida e lá encontra maravilhas. Não é assim a história de Simbad, o Marujo, e seus relatos sobre o Rukh e o Velho do Mar? Não é assim a história de Lemuel Gulliver e seus encontros com os Lilliputians e Brobdingnagians? Aliás, não é assim a história de King Kong?

O Senhor dos Anéis, juntamente com a sua horda de imitações abjetas, é também um conto de viagem.

No entanto, esses contos de viagem não seriam mais fantasias, em vez de ficção-científica? Onde é que entra a “verdadeira” ficção-científica?

Considere o primeiro escritor profissional de ficção-científica, o primeiro que ganhava a vida graças a sua indubitável ficção-científica — Júlio Verne. Ele não se considerava um escritor de ficção-científica, pois o termo ainda não havia sido inventado.

Por doze anos ele escreveu para o palco francês com pouco sucesso. Mas ele era um viajante e um explorador frustrado e em 1863, de repente, recebeu um pagamento vultuoso pelo seu “Cinco Semanas em um Balão”. Ele considerava seu livro como um conto de viagem, mas de um tipo diferente, já que ele fazia uso de um equipamento só tornado possível graças ao avanço da ciência.

Verne seguiu esse caminho de sucesso utilizando outros dispositivos científicos, tanto do presente como do futuro possível, para levar seus heróis cada vez mais longe, em suas “viagens extraordinárias” — das regiões polares até o fundo-do-mar, passando pelo centro da Terra, até a Lua.

—> (continua após a figura abaixo)

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A Lua tem sido um destino atraente para os autores de contos de viagem desde Luciano de Samósata, no Século I d.C. Nesses casos, a Lua era considerada simplesmente como mais uma terra distante, mas o que Verne fez de diferente é que ele se esforçou para que seus heróis chegassem lá através de princípios científicos que ainda não haviam sido aplicadas na vida real (apesar dos métodos não serem possíveis de serem realizados do jeito que ele os descreveu).

Depois dele, outros escritores levaram seus personagens em viagens ainda mais longas até Marte e outros planetas; e finalmente em 1928, E.E. Smith, em seu “The Skylark of Space,” rompeu todos os limites com seu “motor sem inércia” e levou a humanidade até as estrelas mais distantes. (clique no link do Projeto Gutemberg para baixar o livro de graça, em inglês)

Ou seja, a ficção-científica começou como um desenvolvimento do conto de viagem, diferenciando-se principalmente no fato de que os meios de transporte e comunicação descritos ainda não existem, mas poderiam existir se o estágio da ciência e da tecnologia em determinado momento fossem extrapolados até estágios mais avançados no futuro.

Mas, com certeza, nem toda a ficção-científica pode ser considerada um conto de viagem. E quanto as histórias que se passam bem aqui na Terra mas lidam com robôs, ou com desastres nucleares ou ecológicos, ou ainda, com novas interpretações do passado distante?

Nenhum desses cenários, porém, acontece “bem aqui”, na Terra. Seguindo a tradição de Júlio Verne, tudo o que acontece na Terra só é possível em função das mudanças contínuas (avanços, normalmente) no nível da ciência e da tecnologia, de forma que a história deve acontecer “bem aqui”, mas numa Terra do futuro.

O que você acha, então, da seguinte definição: “Histórias de ficção-científica são viagens extraordinárias que nos levam a qualquer um dos infinitos possíveis futuros.”?

— Dos quais temos amostras bem aqui nesta edição — e em cada uma das nossas edições.

—Isaac Asimov

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Blablabla

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Isaac Asimov’s Magazine V02N01 (jan/fev 1978)

Quinta edição da revista Isaac Asimov’s Science Fiction Magazine. A partir deste número, as edições passaram a sair bimestralmente.

Seguimos disponibilizando a tradução dos Editoriais de Asimov. A edição de hoje é especial pois Asimov fala sobre o ataque do coração que sofrera em maio de 1977 — e da consequente reação dos amigos e fãs. Aproveitem a leitura! Tradução em português logo após a figura abaixo.

Ao final do post, como sempre, você também encontrará a sessão de cartas da mesma edição, em inglês, para quem tiver interesse.

Isaac Asimov's Magazine V02N01 01

EDITORIAL

Sempre houve uma irmandade dentro da ficção científica que sempre transcendeu as briguinhas triviais e mexericos que, no passado, já mancharam a imagem de fanzines e do augusto grupo dos Escritores de Ficção Científica dos Estados Unidos.

Pode ser que travemos embates entre nós a respeito de assuntos sem maiores consequências mas, na adversidade, juntamos forças como ninguém! Mais que tudo, nosso senso de união se sobrepõe a qualquer sentimento de ‘competição’.

Talvez isso tenha origem nos dias em que a ficção científica era a categoria mais desvalorizada dentro das revistas “pulp”, o beco com as piores oportunidades e o pagamento mais baixo — o pior dos piores, por assim dizer. Por isso, aqueles que eram devotos desse campo se sentiam como párias, isolados, e tinham que se unir para se defenderem. Além disso, aqueles que realmente conseguiam escrever para a mídia tinham que saber que o faziam por amor e não pela grana, e eles tinham que se sentir como uma irmandade. Como poderia haver competição se não havia nem dinheiro nem fama pelos quais competir?

Pode ser que aqueles que entrem nesse campo nos dias de hoje — após a ficção científica ter sobrevivido à morte das revistas “pulp” — após ter entrado num período de respeito quase exagerado, tanto para o público em geral como para os acadêmicos — após ter invadido triunfalmente as mídias visuais — pode ser que esses não se sintam tanto como membros de uma fraternidade assim tão unida, como nós, dos velhos tempos (se é que posso usar esse termo para alguém como eu, que acabou de passar dos trinta), nos sentíamos. Se for assim, sinto muito por eles.

—> (continua após a figura abaixo)

Isaac Asimov's Magazine V02N01 02

Eu tomei consciência disso uma vez mais quando passei por uma situação um tanto quanto humilhante para alguém com minha tão conhecida e vigorosa juventude. O que aconteceu foi que, no dia 18 de maio de 1977, eu sofri um leve infarto do miocárdio — ou, se você quer usar o termo mais comum, um ataque do coração. (Não tema, ó Gentil Leitor, eu sobrevivi e o prognóstico é bom, desde que eu perca peso, faça um pouco de exercício e alivie um pouco a minha determinação inumana em cumprir prazos.)

A primeira pergunta que meu médico me fez (um profissional incrível, o melhor do mundo, na verdade) foi se eu gostaria de ir à público sobre o assunto.

“Claro”, eu disse. “Com certeza irei escrever artigos sobre isso.” (Está vendo?)

Então fizemos isso, e imediatamente pessoas de toda a minha família e escritores e leitores de ficção científica de todo o país começaram a entrar em contato para expressar sua preocupação. Harlan Ellison, com uma emoção que contradizia totalmente a persona de durão que ele cultiva tão diligentemente quanto eu cultivo a minha persona de modéstia e auto-satisfação, ligou duas vezes da Califórnia e se ofereceu para pegar um avião e ajudar como pudesse. Naturalmente, demos uns berros com ele para que desse mais atenção à sua máquina de escrever e parasse de se preocupar.

Fui forçado a cancelar todos os compromissos por um período de seis semanas, incluindo o discurso de formatura que eu faria na Universidade Johns Hopkins apenas dois dias depois. Na verdade, foram oito dias após o ataque, mas meus sintomas foram muito confusos e inicialmente pareciam indicar cálculos biliares, então levou um tempo até chegar no diagnóstico correto. Eu então disse ao meu médico que dois dias não fariam mal e que eu deveria fazer o discurso. Meu médico, no entanto, muito irritado comigo por eu ter ousado apresentar sintomas atípicos que atrasaram o início do meu tratamento, me colocou numa unidade de tratamento cardíaco em menos de uma hora.

A maioria dos meus compromissos, dentro do possível, foi cumprida pelos meus amigos da família da ficção-científica, que correram pra lá e pra cá pra me substituir. George Scithers foi em meu lugar até a Brown University, e adivinhem quem me substituiu em outras três palestras, chegando ao cúmulo de se forçar à indignidade de alugar um smoking para uma delas? Ninguém menos do que meu concorrente direto, Ben Bova, editor da revista Analog.

A revista Analog, e a sua antecessora, Astounding, lideram o campo tanto em circulação quanto em prestígio por mais de um terço de século; e esta revista que o leitor tem em mãos tem a intenção de alcançá-la e ultrapassá-la e, é óbvio, Analog prefere que não consigamos nada disso.

Mas isso não afeta Ben e eu. Éramos amigos antes, somos amigos agora e seremos amigos no futuro, ganhando ou perdendo, já que a ‘competição’, não importa o resultado, só tem a beneficiar a ficção-científica, e a ficção-científica é a nossa vida e nossa irmandade.

—> (continua após a figura abaixo)

Isaac Asimov's Magazine V02N01 03

Ele veio visitar-me no hospital e eu disse a ele, “Ben, como foram as palestras? Você se lembrou de não ser tão bom quanto eu?”

“Eu fui uma porcaria”, ele disse.

“Não foi, não, Ben”, eu disse, acusadoramente. “Todos estão dizendo que você foi ótimo e que ninguém vai me querer mais como palestrante — então eu contratei um pistoleiro pra dar cabo de você. Lhe darei o beijo da morte”.

“Hah!” disse Ben, fazendo escárnio. “O que um judeu sabe a respeito do beijo da morte? Somente nós, os italianos, podemos dar o beijo da morte.”

Frustrado, eu disse, “Muito bem, eu estou em débito com você por me substituir. Como posso um dia lhe pagar?”

“Do que você está falando?” disse Ben. “Eu tenho estado em débito com você por anos e ainda estou procurando uma forma de pagar a você. Isso não foi nada.”

“Mesmo o smoking alugado?” eu disse, sem conseguir acreditar.

Isso o deixou balançado. Mas aí ele falou, em uma voz grave, sofrida, “Mesmo o smoking alugado.”

“Você está doido. Eu é que estou devendo a você.”

E a conversa seguiu em uma ladainha sobre quem estava devendo a quem, até que uma enfermeira, olhando para nós com uma cara de desaprovação, fechou a porta pois estávamos perturbando o andar inteiro.

“Como você pode se sentar aí, Ben,” eu disse, num tom zangado, “nessa sua inocência italiana e se recusar a levar o crédito, ativando, assim, minha culpa judaica, sabendo que meu coração não poderá resistir a toda essa tensão?”

“Que inocência italiana?” ele disse, num tom tão zangado quanto. “É por causa da superstição italiana. Com certeza você ouviu falar da superstição italiana?”

“Qual superstição?”

“A que diz que levar o crédito e, por conta disso, lucrar com o sofrimento de um amigo, traz má sorte.”

“Do que você está falando? A Máfia…”

“Ah, então,” disse Ben, “é diferente se é você que causa o sofrimento.”

E eu caí na gargalhada e a discussão se encerrou.

Mas muito obrigado Ben, e muito obrigado à toda a minha família da ficção-científica, editores, publishers, escritores e fãs, que fizeram com que minha estadia no hospital tenha sido tão cheia de flores e presentes e visitas e cartões que acabei saindo um dia mais cedo por solicitação geral da equipe do hospital.

—Isaac Asimov

Isaac Asimov's Magazine V02N01 04

Blablabla

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