Isaac Asimov’s Magazine V02N06 (nov/dez 1978)

Décima edição da revista Isaac Asimov’s Science Fiction Magazine.

Por motivo de viagem, as traduções estão sendo feitas aos poucos, porém resolvemos adiantar e postar as páginas em inglês desde já.

Em breve teremos a tradução em português, obrigado por aguardar.

(Incluindo um presentinho de Natal — o Conto As Chemist to Chemist, by Isaac Asimov)

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Abaixo, a seção de cartas. Clique na imagem para amplia-la.

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Isaac Asimov’s Magazine V02N05 (set/out 1978)

Nona edição da revista Isaac Asimov’s Science Fiction Magazine.

Por motivo de viagem, as traduções estão sendo feitas aos poucos, porém resolvemos adiantar e postar as páginas em inglês desde já.

Em breve teremos a tradução em português, obrigado por aguardar.

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EDITORIAL: POPULAR, MAS NUNCA VULGAR

A palavra em Latim “populus” significa “pessoas”; a palavra em Latim “vulgus” significa “pessoas”.

Em Inglês (e em Português também) temos a palavra “popular” e a palavra “vulgar”, ambas se referem a atributos relacionados a pessoas. Podemos ter, por exemplo, “eleições populares”, que significa que as pessoas em geral, em vez de apenas um grupo privilegiado de indivíduos, podem votar. Temos também “língua vulgar”, que significa a língua falada pelas massas, em vez do Latim que era falado pelas altas classes.

Claro que podemos, ao utilizar o termo “pessoas”, nos referir a toda a população sem nenhuma distinção. Podemos, por outro lado, nos referir à maioria das pessoas mudando o termo para “pessoas comuns”, distinguindo-as das classes “melhores” – melhores seja através do nascimento, educação ou autoestima.

É possível, para os que possuem uma mente democrática, usar os adjetivos com um sentido favorável e ter os melhores pensamentos em tudo o que se refere às características das pessoas. Para os que possuem uma mente mais esnobe, é possível usar os adjetivos com um sentido desfavorável, e pressupor que tudo o que agrada às massas tem que ser necessariamente de qualidade inferior, posto que somente um longo processo de cultivo intelectual pode subir o nível de fruição até que alcance o gosto refinado desses privilegiados.

Em nosso idioma Inglês, diferenciamos esses dois significados, e “popular” acabou por representar os aspectos favoráveis do gosto geral, enquanto “vulgar” passou a representar os aspectos desfavoráveis. Por isso que Shakespeare faz com que Polonius aconselhe seu filho da seguinte forma: “Seja popular, mas nunca vulgar”.

Em Francês, creio que a distinção seja menos evidente. Eu mesmo, por exemplo, já fui descrito em Francês como estando envolvido com a “vulgarização” da ciência. Esse comentário teria me deixado irritado se as frases em volta não deixassem claro que se tratava de um elogio.

Em Inglês, no entanto, somente é possível dizer que eu sou um “popularizador” da ciência. Se alguém tentar afirmar que sou um “vulgarizador” da ciência, é melhor que seja um amigo meu e que esteja sorrindo na hora que o disser.

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Apesar disso, não consigo evitar pensar que, para alguns cientistas, não existe “popularização” da ciência, somente “vulgarização”.

Por que? Pela razão de sempre – arrogância.

Não é raro encontrar um cientista que se ache um membro da aristocracia intelectual. Alcançar

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Abaixo, a seção de cartas. Clique na imagem para amplia-la.

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Isaac Asimov’s Magazine V02N04 (jul/ago 1978)

Oitava edição da revista Isaac Asimov’s Science Fiction Magazine. Seguimos disponibilizando os Editoriais de Asimov traduzidos para o português. Divirta-se!

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Editorial: É uma coisa engraçada

É uma coisa engraçada, mas muitos iniciantes tentam escrever ficção-científica de humor. O que faz disso algo engraçado é que ser engraçado é muito difícil, e mesmo alguns excelentes escritores de ficção-científica não conseguem manejar o humor — mesmo assim muitos iniciantes acham que conseguem.

Por que é tão difícil ser engraçado?

Pra começo de conversa, você tem que acertar o alvo. Se você está buscando drama, é capaz de você, mesmo conseguindo um resultado patético, conseguir algum resultado meia-boca e até vender a história se sensibilizar o editor, mesmo que ele não chegue às lágrimas. Se você está buscando o suspense, você pode atingir um suspense moderado e vender a história se conseguir acelerar um pouco o coração do editor, mesmo que não saia galopando.

Você pode atingir próximo ao alvo, mesmo que não seja na mosca, em quaisquer outras características que buscamos na ficção, e mesmo assim conseguir vender a história.

Com exceção do humor. O alvo do humor tem que ser a mosca. Não existe outra opção.

Você consegue imaginar algo que seja somente meio engraçado? Você já ouviu alguém contar uma história que fosse só “um pouco humorística”? O que acontece?

Claro! Ninguém ri. Na melhor das hipóteses, alguém poderá exibir um sorriso por educação.

Uma história engraçada, no entanto, quando é realmente engraçada, é algo muito bom e deve ser encorajado. Bom humor, perspicácia, até certa molecagem, quando bem feita, contribui para a alegria das nações e para a eupepsia* dos indivíduos.

(*Ué, vá olhar no dicionário. Como você acha que poderá se tornar um escritor se não aumentar o vocabulário?)

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Mesmo assim, até os melhores de nós não nascem já sabendo como escrever com humor. Temos que praticar um pouco no início para ver se temos talento   se o tivermos, temos que desenvolvê-lo através da prática contínua.

Então, aqui vão algumas regras que podem ser úteis.

  1. Mantenha o texto curto. A não ser que você seja um gênio nato da comédia, um Mark Twain ou um P.G. Wodehouse, você não conseguirá manter um nível constante e satisfatório de humor por toda a extensão de um romance. De fato, quanto mais tempo você tentar mantê-lo, menor a possibilidade de você conseguir evitar cair na insipidez ou no doloroso exagero. Minha opinião pessoal é que você deve tentar manter a extensão do texto em, no máximo, 3000 palavras.
  2. Não tente fazer com que cada frase seja sensacionalmente engraçada. Em primeiro lugar, você irá se cansar demais e morrer jovem, e um escritor morto não nos serve. Em segundo lugar, você não vai conseguir. E em terceiro lugar, humor contínuo, mesmo se alcançado, provavelmente não é eficiente. O leitor irá se gastar de rir no início e achará o resto da história um tédio. Aqueles intervalos periódicos que dão ao leitor tempo de recarregar sua reserva de risadas são importantes.
  3. O humor não é, em si, uma história. O humor, se bem feito, tem o poder de melhorar uma história; mas o humor não transforma uma história ruim em uma história boa. Se você está escrevendo uma história de ficção-científica de humor, certifique-se que, ao retirar as partes engraçadas, o que sobrar ainda seja uma história de ficção-científica razoavelmente boa por si.

Agora vamos considerar uma subdivisão dentro das histórias de ficção-científica humorísticas: as histórias de Ferdinand Feghoot (O nome é derivado de uma série escrita por Grendel Briarton (Reginald Bretnor) sobre um cavalheiro com esse nome. As histórias apareceram em 2 livros e 3 revistas, incluindo esta aqui). Esse tipo consiste em uma história cuja única razão para a sua existência é terminar em um elaborado trocadilho.

Há regras para esse tipo de história também.

  1. Já que o trocadilho final é a razão para a história, é óbvio que não podemos sobrecarregar o trocadilho com uma história longa demais, ou o anticlímax irá provocar uma raiva assassina (rosnado) mesmo no mais gentil dos editores — que é como George pode ser descrito. Seja objetivo, eu diria que o texto não deveria passar de 500 palavras.
  2. Mesmo essas 500 palavras precisam perfazer uma história de ficção-científica decente, que não force a barra de forma óbvia em preparação para o trocadilho. O ideal seria o leitor não suspeitar que um trocadilho está a caminho, dessa forma não terá tempo de intensificar seus sentimentos de hostilidade homicida.
  3. Busque o equilíbrio perfeito. A frase que funciona como trocadilho deve ser longa o suficiente para que o leitor a ache engenhosa, mas não tão comprida que o canse antes do fim. O ideal seria que o leitor possa ler a frase em uma olhada.

A distância entre o trocadilho e a frase como um todo deve ser grande o suficiente para se tornar engenhosa e imprevisível, mas não tão esticada que, mesmo após o leitor ler a frase, haja um perceptível período de tempo no qual o leitor não sabe do que você está falando. Lembre-se que a piada deve ser entendida imediatamente. Mesmo uma pequena pausa poderá ser fatal para a gargalhada.

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4.  O trocadilho é feito para o ouvido. É o som que conta, não a aparência. (Em seguida Asimov dá um exemplo de um trocadilho onde, apesar de a palavra ser escrita de forma diferente, a pronúncia é a mesma, garantindo que o trocadilho funcione. Ele segue com um segundo exemplo onde a escrita é a mesma porém a pronúncia é diferente, e afirma que, mesmo lendo silenciosamente em sua cabeça, a pronúncia diferente da palavra faz com que o trocadilho não funcione tão bem. Não sei se essa regra a que Asimov se refere funciona da mesma forma em Português, mas creio que não seja o caso – nota do editor/tradutor).

Para resumir, o tipo de trocadilho ideal, em minha opinião nada modesta, é a minha obra “Sure Thing” (Com Certeza, em tradução livre) na edição de Verão de 1977 da revista Isaac Asimov Magazine. Leia-a novamente e você verá. Há também dois exemplos autênticos na edição de Outono de 1977 da Isaac Asimov Magazine, se você quiser compará-los.

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Um último aspecto a ser mencionado é um aspecto triste. Mesmo uma história bem humorada ou um texto excelente do tipo de Ferdinand Feghoot não possui garantias de ser aceito para publicação. Uma revista deve ter variedade para ter sucesso, e essa variedade deve refletir, com um mínimo de precisão, o gosto e preferências de seus leitores.

O fato é que muitas pessoas não gostam de textos de humor e muitos mais nutrem uma antipatia fanática pelo trocadilho mais inofensivo. Portanto devemos semear os nossos textículos humorísticos de forma suave na página de índice, enquanto aqueles com trocadilhos mais pesados devem aparecer somente quando as antenas do nosso Gentil Editor transmitirem a ele a mensagem que um intervalo suficiente já passou desde a última vez, para que seja seguro imprimir um novo.

Mas eu lhes asseguro que George e eu (que somos como uma só pessoa no que se refere a tudo que é literário) somos jovens de coração alegre cuja inclinação para o riso só é excedida pelo nosso amor por uma boa gargalhada, e iremos fazer com que esta revista seja tão alegre quanto possível — se os escritores cooperarem.

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Isaac Asimov’s Magazine V02N03 (mai/jun 1978)

Sétima edição da revista Isaac Asimov’s Science Fiction Magazine. Seguimos disponibilizando os Editoriais de Asimov traduzidos para o português. Divirta-se!

 

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EDITORIAL: O Nome de Nosso Campo

No editorial da última edição, falei sobre as “viagens extraordinárias”de Júlio Verne e que elas levantam a questão de como é difícil encontrar um nome para o tipo de publicações que temos aqui nesta revista e em outras do mesmo tipo.

Esta revista contém “histórias”; e uma “história” nada mais é do que recontar eventos, descrevendo detalhes de forma organizada. O relato pode ser tanto de incidentes reais como inventados, e com o tempo passamos a separar a “História” como a realidade, e simples “histórias” como algo ficcional. Em inglês usamos duas palavras diferentes: History para o primeiro caso e story para o segundo caso.

Um “conto” é algo que é “contado”, e uma “narrativa” é algo que é “narrado”. Tanto “contar” como “narrar” podem ser usados para acontecimentos reais ou inventados. “Narrar” é a palavra menos usada das duas simplesmente porque é mais difícil de falar e por trazer uma sensação de mais formalidade.

Uma palavra que é usada exclusivamente para peças criadas da imaginação e nunca para as histórias reais é “ficção”, que vem de uma palavra do latim que significa “inventar”.

O que esta revista contém, então, são histórias — ou contos — ou, mais precisamente, ficção. Naturalmente, há diferentes variedades de ficção, dependendo da natureza de seu conteúdo. Se os eventos relatados lidam principalmente com amor e relacionamentos, temos as “histórias de amor” ou “contos de amor”. Do mesmo jeito, podemos ter “histórias de detetive” ou “contos de terror” ou “ficção de mistério” ou “histórias de confessionário” ou “contos de caubói” ou “ficção na selva”. As peças que aparecem nesta revista lidam, de uma forma ou de outra, com as mudanças futuras no nível da ciência, ou na tecnologia que é movida pela ciência. Será que não faz sentido, então, considerar essas peças como “histórias científicas”, ou “contos científicos” ou, mais precisamente, “ficção científica”?

No entanto, o termo “ficção científica”, um nome tão óbvio quando se pensa nele, só surgiu muito tarde. As viagens extraordinárias de Júlio Verne eram chamadas de “fantasias científicas” na Grã-Bretanha, e o termo parecido, “science fantasy“, ainda é usado até hoje.

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“Fantasia” é uma palavra derivada de outra, grega, que significa “imaginação”, então não é completamente inapropriada, mas implica na existência mínima de restrições do que se pode fazer. Quando falamos em “fantasia” nos dias de hoje, geralmente estamos nos referindo a histórias que não dependem das leis da natureza descobertas pela ciência, enquanto histórias de ficção científica dependem.

Outro termo usado nos anos 20 nos Estados Unidos era “scientific romance”, ou “romance científico”. A palavra romance era usada originalmente para descrever qualquer coisa publicada nas línguas românicas, ou seja, os idiomas comuns da Europa ocidental; isso quer dizer que era utilizado para se referir a textos cujo objetivo era a diversão. Trabalhos mais sérios eram escritos em latim, claro. O problema é que “romance” passou a ser aplicado para histórias de amor, então “romance científico” ficou esquisito.

“Histórias de pseudo-ciência” já chegou a ser usado, mas é um insulto. “Pseudo” vem de uma palavra em grego que significa “falso”, e mesmo que as extrapolações da ciência usadas na ficção científica não sejam ciência de verdade, também não chegam a ser ciência de mentira. Elas são “ciência que um dia pode vir a ser verdade”.

“Histórias de super-ciência”, mais outro nome que chegou a ser usado, é muito bobo e infantil.

Em 1926, quando Hugo Gernsback publicou a primeira revista da história a ser devotada exclusivamente à ficção científica, ele a denominou Amazing Stories. (que pode ser traduzido por histórias espetaculares, incríveis, surpreendentes)

Esse nome pegou. Quando apareceram outras revistas, sinônimos para “amazing” foram frequentemente usados. Tínhamos Astounding Stories, Astonishing Stories, Wonder Stories, Marvel Stories, e Startling Stories. Todas essas revistas estavam nas bancas na época em que o mundo e eu éramos jovens.

Esses nomes, no entanto, não descrevem a natureza das histórias mas, sim, seus efeitos no leitor, e isso não é suficiente. Uma história pode surpreender, maravilhar ou assustar você; pode ser incrível ou espetacular; e ainda assim não ser necessariamente ficção-científica. Não precisa nem ser uma história de ficção. Era necessário algo melhor.

Gernsback sabia disso. Originalmente ele havia pensado em chamar a revista de “Scientific Fiction”. No entanto, isso era difícil de pronunciar rapidamente, principalmente por causa da repetição da sílaba “fic”. Por que então não combinar as palavras e eliminar uma dessas duas sílabas? Teríamos então “scientifiction”. (Imaginem, em português, “ficcientífica”.)

Só que “scientifiction” é uma palavra feia, difícil de entender e, mesmo se compreendida, capaz de afastar aqueles leitores em potencial que correspondem a palavra “científico” com a palavra “difícil”. Gernsback então usou a palavra somente no subtítulo: Amazing Stories: the Magazine of Scientificion. Ele apresentou também a abreviatura “stf”. Tanto a palavra como a abreviatura ainda são usadas de vez em quando.

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Quando Gernsback foi forçado a abrir mão da Amazing Stories, ele publicou uma revista concorrente chamada Science Wonder Stories (algo como Histórias Maravilhosas da Ciência). Em seu primeiro número (junho de 1929) ele usou o termo “ficção científica” e a abreviação “S.F.” — ou “SF” sem os pontos — acabou se popularizando. Em algumas ocasiões o termo apareceu com hifen, “ficção-científica”, mas isso só acontece raramente. A história, no entanto, não termina aí.

Como eu disse na edição passada, existe um sentimento compartilhado por alguns que o termo “ficção científica” dá ênfase demasiada e de forma errônea ao conteúdo científico das histórias. Desde 1960, em particular, a ficção científica passou a transferir uma parte desse foco na ciência para a sociedade, dos aparelhos tecnológicos para as pessoas. Ainda lida com as mudanças no nível da ciência e tecnologia, mas essas mudanças passam cada vez mais para o pano de fundo.

Eu creio que foi Robert Heinlein quem primeiro sugeriu que passássemos a usar o termo “ficção especulativa”; alguns, como Harlan Ellison, apoiam fortemente essa mudança. Para mim, porém, “especulativa” parece uma palavra fraca. Tem quatro sílabas e não é muito fácil de pronunciar rapidamente. Além disso, praticamente qualquer coisa poderia ser ficção especulativa. Um romance histórico pode ser especulativo; uma história sobre um crime real pode ser especulativa. “Ficção especulativa” não carrega em si uma descrição precisa do nosso campo de trabalho e não creio que iria funcionar. Na verdade, eu acho que eles tentaram usar “speculative fiction”, o termo correspondente em inglês, somente para poder manter o “s.f.”

Isso nos leva a Forrest J. Ackerman, um rapaz maravilhoso por quem tenho enorme afeto. Ele é um devoto dos trocadilhos e jogos de palavras assim como eu também sou, mas Forry nunca aprendeu que algumas coisas são sagradas. Ele não resistiu e cunhou “sci-fi” como um termo análogo, em aparência e pronúncia, ao termo “hi-fi”, a conhecida abreviação de “high fidelity” ou, em português, alta fidelidade. “Sci-fi” é agora amplamente utilizado por pessoas que não leem ficção científica. É usado principalmente por pessoas que trabalham no cinema e na televisão. Isso o transforma, talvez, num termo que tem sua utilidade.

Podemos definir “sci-fi” como aquele material de baixa qualidade que algumas vezes é confundido, pelas pessoas ignorantes, com a “SF”. Sendo assim, Star Trek é SF enquanto Godzilla Vs. Mothra é sci-fi.

— Isaac Asimov

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