A Saga Robôs–Império–Fundação: Melhor Ordem de Leitura

eu-robo-asimov-resenha-raquel-moritz-pipoca-musical-01Quando Asimov escreveu as histórias dos Robôs, os livros do Império Galático e a saga da Fundação, não tinha pretensão de que elas formassem uma cronologia única. No entanto, em meados dos anos 80, resolveu integrar oficialmente todas essas obras em um universo coeso. Para isso fez alguns ajustes aqui e ali nos livros que já haviam sido publicados e, desde então, tudo o que escreveu faz parte do passado, presente e futuro de uma mesma história.

A maioria dos novos leitores fica em dúvida se deveriam ler os livros na ordem em que foram originalmente publicados, ou quem sabe na ordem cronológica dos fatos. E a resposta da maioria dos fãs experientes de Asimov é a seguinte:

Nem uma, nem outra.

A melhor ordem para você ler a totalidade da Saga é uma mescla das duas. Com a lista sugerida aqui (que é quase um consenso entre os fãs das antigas), você não terá spoilers desnecessários antes da hora e poderá passar por toda a montanha-russa de sentimentos originalmente concebida pelo Bom Doutor, além de tirar o máximo proveito de todos os detalhes com os quais Asimov povoou essa obra magistral.

Vamos a ela:

01 – Eu, Robô

  • Apesar de ser uma coletânea de contos sobre robôs, é a origem de tudo. Aliás, esse livro não é simplesmente uma coletânea, pois os contos, anteriormente publicados de forma independente, foram reescritos e costurados de tal forma que, no final, temos a sensação de uma curva de desenvolvimento, tanto para a importantíssima personagem de Susan Calvin como para o desenvolvimento da sociedade terrestre e seus robôs.

02 – As Cavernas de Aço; 03 – O Sol Desvelado; 04 – Imagem no Espelho (Visões de Robô); 05 – Robôs da Alvorada; 06 – Robôs e o Império

  • Essa quadrilogia (e o conto que aparece no livro Visões de Robô) formam o que conhecemos como a Série de Elijah Baley.
  • Além da história principal, mostra as primeiras incursões dos robôs ao espaço.

07 – Poeira de Estrelas; 08 – As Correntes do Espaço; 09 – 527 Era Galática

  • Essa é a chamada Trilogia do Império Galático, porém os livros não estão conectados e podem ser lidos em qualquer ordem.

10 – Fundação; 11 – Fundação e Império ; 12 – Segunda Fundação

  • Essa é a chamada Trilogia Original da Fundação.

13 – Limites da Fundação

14 – Fundação e a Terra

  • Este é verdadeiramente o final da saga. Mas se você chegou até aqui, com certeza vai se divertir com os dois livros que Asimov adicionou posteriormente, a seguir:

15 – Prelúdio à Fundação; 16 – Origens da Fundação

  • Apesar dos eventos retratados aqui serem anteriores cronologicamente, Asimov pressupõe que você já leu os livros publicados anteriormente e se refere a eventos e fatos descritos ali. Portanto se você cair na armadilha de ler os livros pela ordem cronológica, vai receber informações aqui que irão estragar as surpresas dos outros livros. Além disso, a maneira como Asimov fecha a obra é muito apropriada.

Agora que você já tem o mapa, vamos em frente! E saiba que você está prestes a começar uma viagem que irá marcar para sempre a sua vida!

João Wolf

 

13 – The Chemicals of Life

013Número de Publicação – 13
Título – The Chemicals of Life (1954)
Título em Português – A Química da Vida

Resenha de John H. Jenkins, do site Asimov Reviews
Este é o primeiro trabalho solo de Asimov em um livro de não-ficção. Como tal, é empolgante pegá-lo para ler, pois é um lampejo de todas as coisas maravilhosas que estão por vir. No entanto, por seus próprios méritos, não é assim tão espetacular, como o próprio Asimov afirmou. Basicamente é uma versão mais juvenil de Biochemistry and Human Metabolism. Usa terminologias técnicas um pouco demais para um livro que se propõe para jovens, e o estilo de Asimov ainda está um pouco rígido em comparação ao que se tornaria seu estilo típico anos depois.

Pior ainda, pega uma das fraquezas do livro acima mencionado (sua inadequação quanto ao tratamento dado ao DNA) e faz ainda pior, pois esse livro nem chega a mencionar o DNA! Em sua defesa, devemos dizer que o livro estava sendo escrito ao mesmo tempo em que Crick e Watson estavam provando a importância do DNA, e Asimov corrigiu essa falha assim que foi possível, mas acaba deixando um buraco mesmo assim. Além disso, é claro, está desatualizado em mais de 50 anos. Não sei de nenhuma descoberta recente que torne nada no livro realmente equivocado, mas o livro acaba perdendo o interesse. Isso não é culpa de Asimov, mas faz com que o livro tenha mais valor como relíquia histórica do que qualquer outra coisa. Vale a pena ler – para ler Asimov, não para aprender bioquímica. (Traduzido por João Wolf)

O comentário a seguir foi postado em 2015 como resposta a essa resenha, e achei interessante compartilhá-lo:

“Eu li The Chemicals of Life há mais de 40 anos e atribuo meu sucesso em controlar meu peso ao meu entendimento das calorias que existem nos vários alimentos baseado nas explicações desse livro. Se esse livro tivesse sido leitura obrigatória nas escolas, talvez tivéssemos reduzido a epidemia de obesidade. Eu desenvolvi meu gosto por legumes, verduras e frutas e diminuí muito meu consumo de carnes e lanches e óleos, e qualquer coisa frita, muito por causa do meu entendimento desse livro. (Eu era uma criança acima do peso na escola)”. Tom, Carolina do Norte

08 – Biochemistry and Human Metabolism

008Número de Publicação – 08
Título – Biochemistry and Human Metabolism (1952)
Título em Português – Bioquímica e Metabolismo Humano

Resenha de John H. Jenkins, do site Asimov Reviews
Se esse livro não fosse de Asimov, e não fosse o primeiro livro de não-ficção no qual ele trabalhou, teria desaparecido para sempre, merecidamente. Na verdade, não é tão ruim assim. Se você é um estudante de medicina do início dos anos 1950 ou um pesquisador de Asimov e de seus escritos, não é ruim. Mas a própria estima de Asimov pelo livro é manchada pela experiência desagradável que ele teve ao escrevê-lo. Ou seja, apesar do conteúdo científico ultrapassado e o estilo rígido de escrita no qual Asimov foi forçado a escrever, o livro é ok.

Há pouco a dizer além disso. Como já disse, o conteúdo científico é extremamente ultrapassado e, já que Asimov é responsável somente por um terço do que foi escrito (na melhor das hipóteses), não vale nem como exemplo da habilidade do Bom Doutor em escrever não-ficção. É mais divertido tentar descobrir que partes são de Asimov e que partes não são mas, além disso, não há muito porque recomendar esse livro para o leitor dos dias de hoje. (Traduzido por João Wolf)

00 – The Kinetics of the Reaction Inactivation of Tyrosinase During Its Catalysis of the Aerobic Oxidation of Catechol (1948)

000Número de Publicação – 00
Título – The Kinetics of the Reaction Inactivation of Tyrosinase During Its Catalysis of the Aerobic Oxidation of Catechol (1948)
Título em Português – A Cinética da Inativação da Reação da Tirosinase durante sua Catálise da Oxidação Aeróbica do Catechol

Resenha de John H. Jenkins, do site Asimov Reviews
Essa é a dissertação de doutorado de Asimov e, se você tiver sorte de encontrar uma cópia, não precisa se dar o trabalho de lê-la. É um texto, na verdade, bem chato.

Claro que ninguém nunca disse que uma dissertação de doutorado tem obrigação de ser uma leitura empolgante — e o próprio Asimov não achava graça no estilo de escrita que ele foi obrigado a usar em sua dissertação, tanto que ele deu uma sacaneada em si mesmo naquele seu primeiro texto sobre as Tiotimolinas.

Além disso, o assunto é muito obscuro e, honestamente, relativamente sem importância. Se esse texto não fosse a dissertação de doutorado de Isaac Asimov — e uma das coisas que transformou o Bom Doutor em um “doutor” —, ele deveria cair mesmo na total obscuridade, onde ele pertence.

Por outro lado, o texto não é tão obscuro e desimportante quanto Asimov quis que acreditássemos, e até demonstra uma certa criatividade e pensamento original. Não há dúvida que Asimov mereceu o seu título de Doutor. Mesmo assim, não tem um significado ou interesse especial além de dois pontos: Um, provou que Asimov mereceu seu título e, dois, fez com que ele escrevesse o hilário “The Endochronic Properties of Resublimated Thiotimoline” e as suas continuações, que são dignas de centenas de doutorados.

Traduzido por João Wolf